O PDA – Partido Democrático do Atlântico, comemorou recentemente trinta
anos de existência, sem grande glória, uma vez que a sua actividade tem sido
prejudicada por uma sombra de receios, derivados de uma associação impura, que
é feita a acontecimentos políticos do passado.
A autonomia, por mais que custe admiti-lo, contém a marca desses
acontecimentos do passado, daí não ser fácil perceber, porque razão o Partido
Democrático do Atlântico nunca conseguiu criar uma verdadeira empatia com a
sociedade açoriana.
anos de existência, sem grande glória, uma vez que a sua actividade tem sido
prejudicada por uma sombra de receios, derivados de uma associação impura, que
é feita a acontecimentos políticos do passado.
A autonomia, por mais que custe admiti-lo, contém a marca desses
acontecimentos do passado, daí não ser fácil perceber, porque razão o Partido
Democrático do Atlântico nunca conseguiu criar uma verdadeira empatia com a
sociedade açoriana.
A autonomia foi uma conquista, não foi uma oferta ou doação do poder
central. Foi uma conquista difícil, precisamente, porque foi necessário vencer a
resistência do poder central saído da revolução de Abril, que se opunha à
ideia de abrir mão do centralismo. Nestas circunstâncias, não se deve esconder
o sol com a peneira, pois foram os acontecimentos mais ousados, que fizeram
convergir a atenção do País, para um problema, que era crucial para o
desenvolvimento dos Açores e bem-estar do seu Povo.
A autonomia foi um parto com dor, porque dividiu opiniões na sociedade
açoriana, parte dela, muito arreigada à ideia da mãe pátria, apesar de se saber,
que foi, sempre, uma verdadeira madrasta para o Povo dos Açores.
A doutrinação do regime salazarista não foi varrida num abrir e fechar de
olhos, tem levado tempo, nalguns casos, nunca produziu verdadeiros efeitos,
daí ser levado, a pensar, que só as novas gerações, serão capazes de se
sentirem inteiramente, libertas do peso do passado e, como tal, capazes de
assumirem sem complexos, a defesa dos direitos do Povo dos Açores.
Percebo que ainda subsista alguns saudosistas do passado, especialmente nas
elites açorianas, que perderam prorrogativas com o restauro da democracia,
o regime do povo.
Neste contexto, percebe-se que o Partido, que reclama para si a ideia de
representar os interesses dos Açores, fora da tutela dos partidos nacionais,
tenha conhecido enormes dificuldades de afirmação, não por falta de soluções,
mas porque se criou a ideia, de que era um grupo de radicais, que queriam
impor a sua vontade, sem aprovação popular.
Este erro ainda pode vir a causar muitos dissabores, na medida em que os
partidos nacionais nunca vão ter uma acção política orientada, única e
exclusivamente, para a defesa dos interesses dos Açores. Servirão a dois senhores
ao mesmo tempo e, se tiverem alguma vez de escolher, não é certo que escolham
os Açores. A estratégia tem sido a de dar uma no cravo e outra na ferradura
na procura de consensos, que prejudicam, normalmente, a parte mais fraca.
Isto tem-se verificado amiúde, basta para o efeito, recordar as peripécias
rocambolescas ocorridas recentemente com a revisão do Estatuto Político e
Administrativo dos Açores.
O caminho do Partido Democrático do Atlântico tem sido muito difícil, ao
ponto de só o empenho de um reduzido número de pessoas ter sido capaz de
evitar o seu desaparecimento. Um dia, este punhado de pessoas será lembrado, por
ter criado e preservado um partido, que pode vir a ser, no futuro, um
instrumento fundamental para a afirmação da sociedade açoriana no mundo.
Já tive oportunidade de defender a ideia de que o Partido Democrático do
Atlântico é um valor, que necessita de ser defendido, pois contém a semente,
que há-de germinar um dia no sentido de dotar o Povo dos Açores do direito de
escolher o seu futuro de forma livre e democrática. Este direito é
fundamental e, não está plasmado no regime autonómico, de forma a evitar-se um
retrocesso ao passado.
Normalmente só se atribui valor a uma coisa quando se a perde. Espero, que
não seja o caso do Partido Democrático do Atlântico, pois percebe-se,
perfeitamente, que constitui uma importante mais-valia para os Açores.
O único compromisso do PDA é com os Açores, logo, é o Partido Dos Açores.
A. F. Mota Oliveira
Portuguese Times, 28 de Novembro de 2009
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